marina viana

Belo Horizonte - MG

Marina Viana é atriz, dramaturga e diretora teatral. É integrante dos grupos Mayombe Grupo de Teatro, Teatro 171, Cia. Primeira Campainha, e colabora com outros coletivos no Brasil.

ouça a entrevista:

Marina Viana é multiartista. Dramaturga, atriz e diretora teatral, graduada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 2005. É integrante dos grupos Mayombe Grupo de Teatro, Teatro 171 e Cia. Primeira Campainha, além de colaborar com outros coletivos. Publicou zines, promoveu prêmios e realizou eventos e cabarets, além de ter uma banda e plagicombinar canções de outras pessoas para compor seus textos e espetáculos. Caracteriza-se por ser uma multiartista que escreve performando a palavra, o som, o corpo e a ação, em um jogo que cria situações de carnavalização, performance e manifesto, em que elementos visuais e sonoros já existentes se recombinam e reorganizam, gerando obras que têm na mixagem e na citação uma característica marcada.

Estreou suas primeiras dramaturgias em 2010, junto à Primeira Campainha, quando atuou e coescreveu as obras Elisabete está atrasada e Sobre dinossauros, galinhas e dragões. Em 2014 criou a dramaturgia de À Tardinha no Ocidente, com a mesma companhia. Nesta obra, Marina explora elementos de colagem, citação, fragmentos de música, remix, estilos de fala, entre outros elementos de estrutura que vão se repetir em seus textos posteriores, caracterizando uma linguagem e apontando para uma assinatura da dramaturga, na qual a escrita já insinua e performa um determinado lugar de atuação que a artista desenvolve em sala de ensaio. Assim, nas criações autorais de Marina há um cruzamento entre o olhar da atriz, da diretora e da dramaturga, acentuando uma escritura que opera como um pretexto ao jogo cênico, ao mesmo tempo em que afirma seu caráter autônomo. 

Em 2015 estreou Pereiras = Festival de Ideias Brutas Ep. 01 + Açougue dos Pereiras, ao lado de Rodrigo Fidelis. Nestas obras, a dramaturgia de Viana propõe um jogo performativo entre os atores, que transitam entre texto verbal e uma construção de imagens performativas. Pereiras parte de textos publicados em seu blog Sandía el Perfume e de fragmentos dispersos extraídos de outras obras. Os textos possuem um caráter performativo forte, sendo importante o uso da palavra, sua sonoridade poética e o modo de articular e habitar cada frase. 

Em 2016 estreou junto ao Mayombe seu espetáculo solo, assinando a dramaturgia que ganhou direção nas mãos de Sara Rojo, Amor: Manifesto antiacademicista pró-bruxaria sem rigor conceitual do meu lado ocidental que Eurípedes desconhece, uma releitura de Medeia com citações de Eurípides, Chico Buarque e Paulo Pontes, evocando algumas atrizes que já fizeram esta personagem e trazendo elementos de contemporaneidade, como bricolagem, paródia e pastiche, para a escritura do texto que não abandona seu caráter poético.

Em 2017 apresentou seu texto O Anarquista, na Janela de Dramaturgia, em Belo Horizonte – escrita a convite do evento –, e MPB: peça manifesto em três estrofes e um refrão, feita com o apoio do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Nesta última, Marina parte de recortes de músicas, paródias, playlists e fanzines para compor uma dramaturgia que investiga os significados possíveis de letras de música, misturando diferentes fragmentos de canções para compor outros significados, muitas vezes descolados das intenções originais das músicas. A peça, que tem também atuação e direção de Marina, lida com a ideia de mixagem de idiomas, bricolagem de ideias e procedimentos, reafirmando o uso dos instrumentais de colagem que aparecem desde o início de sua carreira. 

Em 2017, assina juntamente com Eduardo Félix a autoria de Macunaíma Gourmet e Brésil: Bonequeiro Sudaca expõe suas contradições para uma plateia francesa, esta última criada para uma residência na França e depois adaptada para uma versão brasileira. O espetáculo narra o processo criativo do grupo Pigmalião Escultura que Mexe, um coletivo de teatro de marionetes do qual Viana é colaboradora. A obra funciona como um documentário fantástico sobre as buscas de um diretor (Eduardo Félix) que tenta criar um espetáculo de teatro de bonecos que reflita sobre o Brasil de hoje. O diretor acaba virando um personagem central da obra. Marina Viana é também autora de Brasil: versão brasileira, realizada em formato digital, em 2018, a partir da obra Brésil.

Trata-se de uma artista inquieta e irreverente, que realiza também o Prêmio Banana Rosa, no Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, junto à Primeira Campainha, com a qual, entre 2011 e 2012, publicou o Zine o mimeógrafo. Com o Teatro 171, coordena o espaço 171, lugar de ocupação e compartilhamento artístico que promove eventos como o VAREJÃO (Varietê Artístico de Risco, Eclético, Jocoso, Anárquico e Onírico) em parceria com This is Not. É ainda colaboradora do coletivo Selvática, de Curitiba, com o qual realiza, desde 2016, a Saga Movedete ex Machina em Cabaré Voltei Oswald Roi Ubu, uma pesquisa sobre revolução e carnaval, entre outras coisas.

Camila Bauer

Marina Viana é atriz, dramaturga e diretora teatral. É integrante dos grupos Mayombe Grupo de Teatro, Teatro 171, Cia. Primeira Campainha, e colabora com outros coletivos no Brasil.

Marina Viana é multiartista. Dramaturga, atriz e diretora teatral, graduada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 2005. É integrante dos grupos Mayombe Grupo de Teatro, Teatro 171 e Cia. Primeira Campainha, além de colaborar com outros coletivos. Publicou zines, promoveu prêmios e realizou eventos e cabarets, além de ter uma banda e plagicombinar canções de outras pessoas para compor seus textos e espetáculos. Caracteriza-se por ser uma multiartista que escreve performando a palavra, o som, o corpo e a ação, em um jogo que cria situações de carnavalização, performance e manifesto, em que elementos visuais e sonoros já existentes se recombinam e reorganizam, gerando obras que têm na mixagem e na citação uma característica marcada.

Estreou suas primeiras dramaturgias em 2010, junto à Primeira Campainha, quando atuou e coescreveu as obras Elisabete está atrasada e Sobre dinossauros, galinhas e dragões. Em 2014 criou a dramaturgia de À Tardinha no Ocidente, com a mesma companhia. Nesta obra, Marina explora elementos de colagem, citação, fragmentos de música, remix, estilos de fala, entre outros elementos de estrutura que vão se repetir em seus textos posteriores, caracterizando uma linguagem e apontando para uma assinatura da dramaturga, na qual a escrita já insinua e performa um determinado lugar de atuação que a artista desenvolve em sala de ensaio. Assim, nas criações autorais de Marina há um cruzamento entre o olhar da atriz, da diretora e da dramaturga, acentuando uma escritura que opera como um pretexto ao jogo cênico, ao mesmo tempo em que afirma seu caráter autônomo. 

Em 2015 estreou Pereiras = Festival de Ideias Brutas Ep. 01 + Açougue dos Pereiras, ao lado de Rodrigo Fidelis. Nestas obras, a dramaturgia de Viana propõe um jogo performativo entre os atores, que transitam entre texto verbal e uma construção de imagens performativas. Pereiras parte de textos publicados em seu blog Sandía el Perfume e de fragmentos dispersos extraídos de outras obras. Os textos possuem um caráter performativo forte, sendo importante o uso da palavra, sua sonoridade poética e o modo de articular e habitar cada frase. 

Em 2016 estreou junto ao Mayombe seu espetáculo solo, assinando a dramaturgia que ganhou direção nas mãos de Sara Rojo, Amor: Manifesto antiacademicista pró-bruxaria sem rigor conceitual do meu lado ocidental que Eurípedes desconhece, uma releitura de Medeia com citações de Eurípides, Chico Buarque e Paulo Pontes, evocando algumas atrizes que já fizeram esta personagem e trazendo elementos de contemporaneidade, como bricolagem, paródia e pastiche, para a escritura do texto que não abandona seu caráter poético.

Em 2017 apresentou seu texto O Anarquista, na Janela de Dramaturgia, em Belo Horizonte – escrita a convite do evento –, e MPB: peça manifesto em três estrofes e um refrão, feita com o apoio do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Nesta última, Marina parte de recortes de músicas, paródias, playlists e fanzines para compor uma dramaturgia que investiga os significados possíveis de letras de música, misturando diferentes fragmentos de canções para compor outros significados, muitas vezes descolados das intenções originais das músicas. A peça, que tem também atuação e direção de Marina, lida com a ideia de mixagem de idiomas, bricolagem de ideias e procedimentos, reafirmando o uso dos instrumentais de colagem que aparecem desde o início de sua carreira. 

Em 2017, assina juntamente com Eduardo Félix a autoria de Macunaíma Gourmet e Brésil: Bonequeiro Sudaca expõe suas contradições para uma plateia francesa, esta última criada para uma residência na França e depois adaptada para uma versão brasileira. O espetáculo narra o processo criativo do grupo Pigmalião Escultura que Mexe, um coletivo de teatro de marionetes do qual Viana é colaboradora. A obra funciona como um documentário fantástico sobre as buscas de um diretor (Eduardo Félix) que tenta criar um espetáculo de teatro de bonecos que reflita sobre o Brasil de hoje. O diretor acaba virando um personagem central da obra. Marina Viana é também autora de Brasil: versão brasileira, realizada em formato digital, em 2018, a partir da obra Brésil.

Trata-se de uma artista inquieta e irreverente, que realiza também o Prêmio Banana Rosa, no Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, junto à Primeira Campainha, com a qual, entre 2011 e 2012, publicou o Zine o mimeógrafo. Com o Teatro 171, coordena o espaço 171, lugar de ocupação e compartilhamento artístico que promove eventos como o VAREJÃO (Varietê Artístico de Risco, Eclético, Jocoso, Anárquico e Onírico) em parceria com This is Not. É ainda colaboradora do coletivo Selvática, de Curitiba, com o qual realiza, desde 2016, a Saga Movedete ex Machina em Cabaré Voltei Oswald Roi Ubu, uma pesquisa sobre revolução e carnaval, entre outras coisas.

Camila Bauer

(Fumaça. Uma mulher embolada em fitas cassete, debaixo de um criado mudo sussurra em um megafone.)

Meu cigarro nasceu da solidão. Meu cigarro nasceu como uma companhia. Meu cigarro nasceu da avó do mundo de cócoras a fumar durante a criação da Terra. Meu cigarro é herança de índio, que passeou por Hollywood, Hunphrey Bogart Guarany esfumaçou o glamour de meus avós. Meu cigarro nasceu do maço de cigarros do meu vô em cima da TV. Cinco cruzeiros e o troco de bala. Meu cigarro nasceu deitado na rede desperdiçando insônia e sangue, olhando pro céu com fumaça. Meu cigarro nasceu da fumaça que encobre meu pensamento de companhia cheia de herança. Meu cigarro é herança de índio, que chora na rede dentro da noite ocidental. 

Minha noite ocidental é cheia de cigarro. Meu cigarro é fruto de pecado de pulmão. Meu cigarro é oficina em plena atividade de ociosidade no ocidente de meus amores. Meu cigarro é fruto de se eu continuar assim, minha ansiedade me mata aos quarenta. Meu cigarro tem cara de comercial dos oitenta. Meus noventa começam com cigarro. E meu segundo cigarro tem gosto de menta. 

Meu cigarro agora e só agora tem cheiro de Morrissey, mesmo tendo o meu cigarro sempre sido com a cara do Nelson, e com garganta de Rorô sempre sendo Nair Belo. Meu cigarro dói de fôlego, por 17 anos alguns namoros, um casamento e uma dúzia de peças de teatro. Meu cigarro grita nas minhas roupas, no meu cabelo e no nosso beijo. Nosso casamento tem cigarro e se um dia não tiver, por favor, continue me amando. Por favor, continue me beijando. Meu cigarro também tem algumas janelas e meio-fio como herança de melancolia sem libido de uma estrada de minas pedregosa do caralho. Meu cigarro também é volver a los diecisiete violeta violenta com la frente marchita de memória. Meu cigarro também não dói de metafísica. Meu cigarro é o que de mais concreto da minha dor se acomodou como catarro no meu peito. 

(uma mulher nua posa para estudantes de desenho, sentada em um criado mudo)

Tempo

Quando a gente fica muito tempo parada, a gente pensa muito. Pensa demais.

No começo eu fazia umas poses mais ousadas. Mas depois de 15 minutos qualquer pose dói.

Qualquer pose se desmancha com o tempo.

Qualquer uma.

E seu perder?

Já perdi!

Perdi a pose. Doeu.

A modelo é viva, e ela dói. Dói mesmo. Não sou modelo pra ninguém. Vai e rascunha algo melhor de mim. Modelo papel modelo papel modelo papel... Consegue? Eu também não. Pois é, o barco é mesmo. Mas ali, na nave sozinha, eu brinco de não ser. E não é assim. A todo o momento gritando pra ser e ali eu não sou?

POSE I: 5 minutos

– Sombra. Magra. Com muitas arestas. Se fosse mais cheinha, mais relevo, talvez mais textura, exercitava-se mais a ideia de preenchimento. Mas é reto. Com muitas arestas, ossos pontiagudos, queixo, nariz, olheira. SOMBRA. Pouca carne em contato com o banco duro.

PERDE A POSE: A MULHER SUSPIRA, E OS ALUNOS SE ASSUSTAM COMO
SE TIVESSEM SE ESQUECIDO DE QUE ELA TAMBÉM É VIVA.

POSE II: 5 minutos

– Queria dançar. Tá coçando aqui ó, nas costas. Me coça. Tô com urticária histérica. Dançomania parece ser uma boa forma de morrer. Doença da idade média é sempre mais mágica.

PERDE A POSE: SE COÇA E TODOS SE ASSUSTAM, ELA SE COÇA COM FORÇA, COMO QUE PROVOCANDO ESTUDANTES, TODOS ASSUSTADOS... COMO SE TIVESSEM SE ESQUECIDO QUE ELA TAMBÉM É VIVA.

(Fragmento de Festival de Ideias Brutas. Episódio 1.)