diego araúja

Salvador - BA

Diego Araúja é dramaturgo, roteirista e escritor. Atua nas mídias literárias, instalativa-visuais, cênico-performáticas e audiovisuais. É um dos fundadores da Plataforma ÀRÀKÁ.

ouça a entrevista:

A experimentação estética e de linguagens e a transdisciplinaridade na criação dramatúrgica de artistas negros são práticas emancipatórias. Essa ideia é defendida pelo diretor, dramaturgo, roteirista e artista visual baiano Diego Araúja, que fundou a Plataforma ÀRÀKÁ, em 2017, em Salvador, em parceria com a artista Laís Machado.

O trabalho de maior repercussão de Diego Araúja é Quaseilhas, de 2018, primeiro espetáculo autoral no país realizado integralmente em yorubá, língua africana. A montagem, apresentada em alguns estados do Brasil e na Alemanha, tem concepção, direção e oriki do artista, que também assina a instalação cenográfica ao lado de Erick Saboya Bastos. A dramaturgia performativa, pautada no estudo de ações físicas, foi criada pelos três performers que estão em cena, Diego Alcantara, Laís Machado e Nefertiti Altan.

Diego assina o espetáculo como escritor, já que organizou a dramaturgia e escreveu os orikis, saudações que fazem parte da literatura oral dos povos yorubá, dedicados às relações da sua infância em Alagados de Itapagipe, comunidade de Salvador. O espectador assiste aos performers de um dos três cômodos de uma casa de madeira e a sua posição na instalação cenográfica determina qual das histórias simultâneas vai acompanhar.

Em 2019, Diego Araúja recebe o convite da produtora soteropolitana Giro Produções para criar e dirigir uma adaptação do livro Holocausto brasileiro, da jornalista Daniela Arbex. No entanto, ao ter contato com a obra, o baiano escreve uma dramaturgia ficcional crítica ao livro, intitulada O prontuário da razão degenerada. O texto é um documentário sobre a psiquiatra Cassandra Santos do Nascimento, militante pela luta antimanicomial, que, ao visitar as instalações do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais, inicia uma luta pelo reconhecimento do fator racial e eugenista na acepção da loucura no Brasil.

A partir dessa personagem fictícia, Diego estabelece uma crítica à ausência da problemática racial em todo o material produzido a partir da Colônia de Barbacena até então. Usando de recursos cinematográficos e forjando documentos, o diretor e dramaturgo criou uma atmosfera tão crível que fez com que pesquisadores do tema se questionassem sobre a existência de Cassandra, entendendo a obra como um resgate de uma das milhares de personagens e intelectuais negras invisibilizadas em nossa história. A montagem, que estreou em 2019, com o título de Holocausto brasileiro – Prontuário da razão degenerada, ganhou o Prêmio Braskem de Teatro da Bahia nas categorias texto e atriz revelação, tendo sido indicada ainda nas categorias espetáculo, direção e atriz.

A partir dessa obra, Araúja escreve seu primeiro roteiro de longa-metragem: Vagavolumosa, uma obra ainda em torno da personagem Cassandra, mas agora explorando suas reflexões sobre a própria vida a partir da relação com outras duas mulheres. Uma delas é uma cineasta, que deseja fazer um documentário sobre Cassandra, intelectual brasileira desconhecida, radicada em um país africano após a ditadura militar no Brasil. A outra é uma pianista da periferia de Salvador, neta de Cassandra, e que vive a violência psiquiátrica no que se convencionou chamar de “comunidades terapêuticas”.

Diego Araúja iniciou sua trajetória como dramaturgo na graduação em Direção Teatral pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 2011, como vencedor do Prêmio FAPEX de Teatro, iniciativa da editora EDUFBA, teve sua primeira dramaturgia publicada: Sobre os palhaços na varanda. A peça, montada em 2012 com direção de Thiago Gomes, é um estudo sobre o gênero absurdista a partir de uma conversa entre dois casais de idosos que levantam reflexões existencialistas. O efeito absurdista é nutrido principalmente por uma característica do casal protagonista: eles nunca sorriem.

Neste contexto da graduação, Diego Araúja escreve O bolo de aniversário do menino ranhoso (2009), Gaiola (2009) e O sol de dezembro (2012), esse último publicado em revista e distribuído em Salvador pela Mostra Universitária de Salvador (MUST), em 2013. A peça ganha duas leituras dramáticas: uma no próprio evento e outra anos depois, em uma edição do Melanina Acentuada em São Paulo.

Em 2014, o dramaturgo escreve duas peças, ainda inéditas, intituladas Aprendizado em alemão e Mensagens ensopadas para a minha mãe. Os dois textos apresentam características muito marcantes na produção do dramaturgo. No primeiro texto, a tentativa de inserir na escrita suas ambições transdisciplinares, flertando com o cinema; e, no segundo, uma escrita que não respeita as limitações do palco, usando um tempo não linear, dedicando espaço a enormes descrições de imagens que, em um contexto de montagem, seriam impossíveis de reproduzir fielmente. Tais descrições, segundo o artista, deixam um espaço vazio, “o como”, que pode e deve ser preenchido pela encenação, mas também se caracterizam como o apelo literário da dramaturgia.

Pollyanna Diniz

Diego Araúja é dramaturgo, roteirista e escritor. Atua nas mídias literárias, instalativa-visuais, cênico-performáticas e audiovisuais. É um dos fundadores da Plataforma ÀRÀKÁ.

A experimentação estética e de linguagens e a transdisciplinaridade na criação dramatúrgica de artistas negros são práticas emancipatórias. Essa ideia é defendida pelo diretor, dramaturgo, roteirista e artista visual baiano Diego Araúja, que fundou a Plataforma ÀRÀKÁ, em 2017, em Salvador, em parceria com a artista Laís Machado.

O trabalho de maior repercussão de Diego Araúja é Quaseilhas, de 2018, primeiro espetáculo autoral no país realizado integralmente em yorubá, língua africana. A montagem, apresentada em alguns estados do Brasil e na Alemanha, tem concepção, direção e oriki do artista, que também assina a instalação cenográfica ao lado de Erick Saboya Bastos. A dramaturgia performativa, pautada no estudo de ações físicas, foi criada pelos três performers que estão em cena, Diego Alcantara, Laís Machado e Nefertiti Altan.

Diego assina o espetáculo como escritor, já que organizou a dramaturgia e escreveu os orikis, saudações que fazem parte da literatura oral dos povos yorubá, dedicados às relações da sua infância em Alagados de Itapagipe, comunidade de Salvador. O espectador assiste aos performers de um dos três cômodos de uma casa de madeira e a sua posição na instalação cenográfica determina qual das histórias simultâneas vai acompanhar.

Em 2019, Diego Araúja recebe o convite da produtora soteropolitana Giro Produções para criar e dirigir uma adaptação do livro Holocausto brasileiro, da jornalista Daniela Arbex. No entanto, ao ter contato com a obra, o baiano escreve uma dramaturgia ficcional crítica ao livro, intitulada O prontuário da razão degenerada. O texto é um documentário sobre a psiquiatra Cassandra Santos do Nascimento, militante pela luta antimanicomial, que, ao visitar as instalações do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais, inicia uma luta pelo reconhecimento do fator racial e eugenista na acepção da loucura no Brasil.

A partir dessa personagem fictícia, Diego estabelece uma crítica à ausência da problemática racial em todo o material produzido a partir da Colônia de Barbacena até então. Usando de recursos cinematográficos e forjando documentos, o diretor e dramaturgo criou uma atmosfera tão crível que fez com que pesquisadores do tema se questionassem sobre a existência de Cassandra, entendendo a obra como um resgate de uma das milhares de personagens e intelectuais negras invisibilizadas em nossa história. A montagem, que estreou em 2019, com o título de Holocausto brasileiro – Prontuário da razão degenerada, ganhou o Prêmio Braskem de Teatro da Bahia nas categorias texto e atriz revelação, tendo sido indicada ainda nas categorias espetáculo, direção e atriz.

A partir dessa obra, Araúja escreve seu primeiro roteiro de longa-metragem: Vagavolumosa, uma obra ainda em torno da personagem Cassandra, mas agora explorando suas reflexões sobre a própria vida a partir da relação com outras duas mulheres. Uma delas é uma cineasta, que deseja fazer um documentário sobre Cassandra, intelectual brasileira desconhecida, radicada em um país africano após a ditadura militar no Brasil. A outra é uma pianista da periferia de Salvador, neta de Cassandra, e que vive a violência psiquiátrica no que se convencionou chamar de “comunidades terapêuticas”.

Diego Araúja iniciou sua trajetória como dramaturgo na graduação em Direção Teatral pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 2011, como vencedor do Prêmio FAPEX de Teatro, iniciativa da editora EDUFBA, teve sua primeira dramaturgia publicada: Sobre os palhaços na varanda. A peça, montada em 2012 com direção de Thiago Gomes, é um estudo sobre o gênero absurdista a partir de uma conversa entre dois casais de idosos que levantam reflexões existencialistas. O efeito absurdista é nutrido principalmente por uma característica do casal protagonista: eles nunca sorriem.

Neste contexto da graduação, Diego Araúja escreve O bolo de aniversário do menino ranhoso (2009), Gaiola (2009) e O sol de dezembro (2012), esse último publicado em revista e distribuído em Salvador pela Mostra Universitária de Salvador (MUST), em 2013. A peça ganha duas leituras dramáticas: uma no próprio evento e outra anos depois, em uma edição do Melanina Acentuada em São Paulo.

Em 2014, o dramaturgo escreve duas peças, ainda inéditas, intituladas Aprendizado em alemão e Mensagens ensopadas para a minha mãe. Os dois textos apresentam características muito marcantes na produção do dramaturgo. No primeiro texto, a tentativa de inserir na escrita suas ambições transdisciplinares, flertando com o cinema; e, no segundo, uma escrita que não respeita as limitações do palco, usando um tempo não linear, dedicando espaço a enormes descrições de imagens que, em um contexto de montagem, seriam impossíveis de reproduzir fielmente. Tais descrições, segundo o artista, deixam um espaço vazio, “o como”, que pode e deve ser preenchido pela encenação, mas também se caracterizam como o apelo literário da dramaturgia.

Pollyanna Diniz

II
AQUI NÃO É RISIERA
DI SAN SABBA

Ainda na música, é projetado nos telões: II – AQUI NÃO É RISIERA DI SAN SABBA. Essa projeção sai suave, dando espaço para a imagem de uma estação de trem. Vemos o perfil de Cassandra, sentada nos bancos de uma plataforma ferroviária (anos 1970). Sua observação oscila entre a dinâmica da estação e a leitura de uma revista. Dessa vez, Leidinha assume a personagem Cassandra. Leidinha-Cassandra está na área do chroma key, diante da câmera que Felipe está operando. Nas telas, vemos o efeito digital da estação ferroviária devido ao chroma key. Ainda na imagem, é projetada algumas informações de ficha técnica, como roteiro, direção, produção, produção executiva, atores e efeitos especiais. Em todas essas fichas são creditados xs atorxs. Nas últimas fichas a seguinte mensagem “vocês entenderam, somos nós o tempo inteiro”.

LEIDINHA/CASSANDRA (olhando para a revista.) – Dizem que quando José Franco entrou no Hospital Colônia de Barbacena em 1961 pra fazer essa matéria aqui...

Rápida projeção da matéria icônica de José Franco e Luiz Alfredo na Revista O Cruzeiro de 1961, com a matéria: “Hospício de Barbacena: A Sucursal do Inferno”.

CASSANDRA – ...ele se lembrou imediatamente do Inferno de Dante. (olhando para revista, melancólica.) Isso é engraçado demais. Nós, sempre muito alegóricos, até mesmo na desgraça. (brevíssima pausa. com uma solenidade intransigente.) A má-fé simbólica deveria ser crime no Brasil.

Cassandra continua acessando a revista. Um misto de indignação e desespero explode em pequenas tensões ao folhear o periódico.

CASSANDRA (forçando uma descontração.) – Cesare Lombroso, Franco Basaglia... Dante... (falsa surpresa.) imigração italiana. Realmente, os italianos possuem intensa relação com a loucura brasileira. Se eu tivesse a oportunidade de estar frente a frente com o jornalista dessa matéria, perguntaria: qual seria a culpa? Sim. Culpa. (virando-se completamente para a câmera.) Segundo os cristãos: inferno é culpa. Autopunição. Ou seja, não há dor maior do que aquela provocada por você, sobre si mesmo. É o que diziam os papas... De maioria...? (respondendo.) Italiana. (distraída.) Um inferno povoado de degenerados, selvagens e imorais. Assim eles nos veem. (apresentando a si mesma, mas ainda distraída.) Assim. (saindo da distração.) ...E assim, talvez, tenha sentido a referência de José Franco ao “Inferno de Dante”. (pausa.) Coisa fácil. Me fazer acreditar que sou culpada por você sujar suas próprias mãos com o meu sangue. O inferno cristão justifica a barbárie colonial. Quanto mais gente no inferno, mais espaço vadio no paraíso.

Pausa.

CASSANDRA (se divertindo.) – Por falar em inferno, Cesare Lombroso, psiquiatra e considerado pai da antropologia criminal, depois de ter se arrependido de tecer críticas ao espiritismo, se tornou adepto da doutrina. Para os espíritas, o inferno é esse, onde todos nós estamos agora. Pagando pelo pecado que fizemos na vida pretérita. Confesso que é mais prático, pois diminui as idas ao confessionário, protelando a penitência e o sofrimento para a próxima vida. Lombroso, como um bom punitivista, deveria entender disso mais do que ninguém, por isso encomendou a culpa para as futuras reencarnações. (brincando.) Seria Franco Basaglia a reencarnação do pobre Cesare, reencarnado para expiar os seus pecados higienistas? (ri intimamente.) Ele está aqui em Belo Horizonte. (corrigindo.) Digo, Basaglia. Franco Basaglia. Italiano. (impressionadíssima.) Psiquiatra antipsiquiatria! Voltou de uma viagem que fez para a “Sucursal do Inferno”. (mostra a revista novamente.) Está chocado, segundo meu amigo Antônio Soares Simone. Embasbacado com o que viu. (pausa.) Eu também estaria. (breve pausa. um pesar.) Pretendo comparecer neste Hospital em breve, assim que tiver uma coragem sobrando...

Felipe abandona a câmera por um tempo. Entra na área do chroma key e cochicha algo no ouvido de Cassandra. Sai. Voltando para a câmera.

CASSANDRA (de modo confidencial.) – Simone acabou de me informar que Basaglia chamou a imprensa. Podemos imaginar do que se trata.

Cassandra fica com a revista ao lado do seu rosto. Olha para a revista como se estivesse contracenando com o objeto.

CASSANDRA – Será que causará o mesmo efeito? (para a câmera.) Causando ou não, estarei lá.

Tela preta nos telões. Luz no centro do palco. Yuri está como Basaglia, psiquiatra de fama internacional e um dos grandes representantes da luta antimanicomial no mundo. O médico está sentado numa cadeira giratória. Ao lado de Basaglia, uma cadeira similar. Felipe, que está com o psiquiatra mineiro Antônio Soares Simone, na época com 28 anos, está em pé. Estamos em Belo Horizonte, ano de 1979. Márcia caminha para uma das cadeiras confortáveis. Insere, toscamente, uma placa, igualmente tosca, onde está escrito “DIREÇÃO”.

MÁRCIA (no megafone. falando alto para o set.) – Dramatização do relato de Cassandra
Santos do Nascimento. Relato do dia 10 de julho de 1979 em seu diário de pesquisa. (se
sentando. para a sonoplastia.) Joga aquela barulheira de gente falando uma em cima da outra, e coloca tam.../

Márcia é interrompida pela sonoplastia:
Os repórteres estão ansiosos para fazerem perguntas. Alguns com cadernos e outros com gravadores de som. Simone é proativo. Possuí uma rítmica de fala agoniada, uma melopeia quase irritante. A fala agoniada fica mais agoniada devido ao caos dos repórteres. Pede calma.

FELIPE/SIMONE – Quero pedir calma para que possamos nos organizar para as perguntas... Assim não dá. Tá muito cheio, tá entendendo... (para Márcia.) Vai ter que ter alguém escolhendo as perguntas lá em cima, tá entendendo...? É médico, é jornalista...

MÁRCIA (para o público. usando um megafone.) – Quem quiser tirar qualquer dúvida sobre o Hospital Colônia de Barbacena com o professor e psiquiatra Franco Basaglia, por favor, levanta a mão que eu levo o microfone...

SIMONE (interrompendo Márcia.) – Peraê! Coisa ligeira. (breve pausa.) Olha só, eu sei que tá todo mundo querendo falar, temos médicos aqui, jornalistas..., mas, por uma questão de ordem, tá entendendo, e de elegância, é importante apresentar nosso convidado...

YURI/BASAGLIA (para Simone.) – Simone, não é necessário.

SIMONE (afobado.) – Mas é importante, professor, porque nem todo mundo, tá entendendo, conhece o seu trabalho, sua luta, sua prática psiquiátrica de extrema...

BASAGLIA (no microfone. abatido, mas pragmático.) – Sou um médico que colocou marretas nas mãos de seus pacientes, ditos como loucos, para que demolíssemos as paredes de um hospital psiquiátrico.

Pausa.

SIMONE – Apresentado. (falando alto.) Perguntas!

BASAGLIA (soturno. fala o português com dificuldade.) – Não... Desculpe, amigo Soares Simone. Pedi que chamasse a imprensa para que eu pudesse fazer uma denúncia. Gostaria, a priori, de denunciar...

Pausa. Simone, um pouco apreensivo, senta-se ao lado de Basaglia.

YURI/BASAGLIA (com um português tão perfeito quanto artificial.) – Não sou muito bom com a língua portuguesa, então peço permissão para falar no meu idioma natal. Peço perdão pela minha deselegância. (toca no ombro de Simone.) Meu queridíssimo amigo – este jovem grande psiquiatra, Antônio Soares Simone – solicito que faça minha tradução, por obséquio. A denúncia é das mais importantes e exige urgência das autoridades brasileiras. Portanto, que seja clara minha denúncia e a acusação que farei.

Basaglia bebe um pouco de água do seu copo. Está cabisbaixo. Respira como se tentasse buscar calma. Um único feixe de luz recorta a boca de YURI/BASAGLIA.

BASAGLIA (ainda inseguro e no bom português.) – Eu gostaria de agradecer a todos pela presença.

FELIPE/SIMONE (se aproximando de seu microfone como se fosse traduzir. chama.) – Legendas!

Toda a fala de Basaglia está projetada nos telões em português. YURI/BASAGLIA move a boca, fazendo um lip sync do que estamos ouvindo em off. Depois da primeira legenda, as seguintes são projetadas sobre fotos de campos de concentração na Itália, Polônia ou em outras localidades europeias.

(Fragmento de Prontuário da razão degenerada)